Arrastada pela posse esvaída em raiva, pela indiferença transformada em pequenas pedras de estrada que me levam por um caminho sem volta, pela pequena ferida que tanto fecha como abre. Ferida pisada e a sangue vivo. Sem jorrar qualquer gota porque as veias estancam os movimentos perdidos pela dor silenciosa, quebrada pelo som de um suspiro. Ensurdece-me a ironia de uma respiração ofegante por falta de prazer. Respiração do esforço feito a desancorar raízes e lembranças passadas. É o corte fino e certeiro em recordações por uma lâmina perigosa que nos fere ao mínimo descuido. É o despir dos hábitos em cada botão de mim mesma. Um atrás do outro. É atirar os trajes para longe e trazer nova roupagem. É fechar os olhos e não sentir o doce do beijo, o quente do desejo, a humidade da pele que me aquece e arrepia. Porque esta estranheza que sinto em mim, das entranhas reviradas, dá-me alento em vez de derrota. Torna levitante a ideia que o vácuo surgirá naturalmente, e só vai perceber-se depois. Nunca abusei da vontade de ti. Entre os silêncios e frases meias, sempre ficou muito por dizer. Chegava e sobrava um abraço apertado, constrangedor de palavras impróprias nas horas certas. Lavei de ti as minhas mãos, a minha alma e cada centímetro do meu corpo. Lavei de ti o meu ser, que nunca se juntou ao teu para fazer um nós. Lavei de ti cada bocadinho da história, cada palavra de uma linha de frase. Lavei de ti quase tudo. Sobra-me a vontade de esquecer, e é o que resta. Esquecendo-me de quem fui ontem, lembrando-me de quem sou agora, e querendo-me assim para o resto da vida e mais um dia. Sabendo que te vi mas não agarrei. Sabendo que se calhar não quis agarrar. Sabendo que as diferenças eram demasiado gritantes para me sujeitar a uma sinfonia desequilibrada por uma clave de sol trocada num solfejo traiçoeiro. Sabendo tudo o que sei, e o mais que fica por contar em folhas perdidas da história, percebo que tudo faz muito sentido mesmo parecendo não fazer. Não fico presente para assistir a um novo filme onde a protagonista me repugna pela imensidão de vazio que lhe sucumbe no guião. Não fico presente para soletrar ditos de ocasião movidas pela corrente da multidão. Não fico presente para sorrir contrariada só porque os demais vão sorrir. Não fico presente porque estarei ocupada. Ocupada a pontuar palavras soltas, ditas no meio de gargalhadas entoadas pela brisa de um Verão que está a vir.

Intermitências.

04/04/2012

Dás por certo que tenho um lado romântico. Que sou muito mais do que aparento. E sei lá eu o que aparento. Chegas com esse ar de quem desbravou o mundo um dia, numa outra vida. De quem conquistou Lisboa aos Mouros em outros tempos. Munido pela coragem de pisar territórios inimigos, como quem subiu por serras austeras de chão espinhoso adulterado por falsos arbustos que escondem armadilhas. E não hesitaste em entrar no meu espaço. A armadura que trago vestida dizes-me ser fácil de despir. Não para os outros. Apenas para ti, que afirmas saber onde se solta o metal que me encobre. Esta égide que esconde a feição do meu corpo, que me oculta a essência e faz-me perder batalhas com arte de simular vitórias. Sucumbo à tua bravura. Percorro-te a cara com a ponta dos dedos. Contorno-te a pele em volta de uns olhos que me fixam. Delineio os teus lábios e esboço-te um sorriso. Sorriso que tomas de assalto. Onde fundes a tua respiração na minha como se dependesses do meu ar para oxigenar o teu sangue. Ou bombear as artérias de um coração que sinto bater contra o meu peito. E deixo-me ir.

Queria escrever-te sem pensar no que te digo. Queria dizer adoro-te como quem diz bom dia pela manhã às pessoas que me cruzam. Ou como quem pede um café em chávena fria ao empregado de sempre da pastelaria do costume. É que ainda continuas por cá e não percebo a fazer o quê. Ocupas demasiado espaço num coração que dizes ser pequeno. Do mal o menos. Ainda vês coração onde muita gente não vê nada. Porque se apodera de mim a altivez natural de quem nasceu sem um. E podia dizer que estás enganado. Ou equivocado, que sou pessoa de escolher bem as palavras que te profiro. Gosto particularmente dos telefonemas que não te faço. E das mensagens que não te mando. São sempre as mais verdadeiras. Aquelas que ficam guardadas nos rascunhos em vez de enviadas. Se soubesses. Se soubesses o que te escrevo e não chegas a ler. Sou eu despida de preconceitos. Sou eu livre de filtros. De consciência solta. Porque esta história de sermos livres é uma mentira pegada. Não somos. Dissimulamos uma liberdade e acreditamos que ela existe. Tal como tu, condiciono as minhas atitudes às consequências. Pronto, mais eu que tu. É que isto de duas pessoas gostarem uma da outra é uma grande coincidência. Somos tantos. A probabilidade disso acontecer parece-me sempre reduzida. Mas depois há estas concomitâncias engraçadas. Tipo tu e eu. Ou tipo eu e ele. Ou tu e ela. Se bem que nunca ninguém gosta da mesma forma. Nem se gosta da mesma maneira das diferentes pessoas de quem se gosta. E isso dá-me toda a legitimidade de dizer que nunca gostei de ninguém como gosto de ti.

Foi como se o mundo tivesse parado quando te olhei nos olhos. Foi um não saber o que iria sair dali. E continuar ainda. O medo da diferença. Do preconceito. O meu. Que é castrador e limitativo e retarda coisas que gostava de te dizer por palavras, mas que por cobardia -minha- prefiro que sejam os teus olhos a ver. Perceber. Mais uma vez os olhos. Esses, os teus. E os meus. Que me enganam a mim, mas não enganam ninguém. Que me fazem ver para lá daquilo que vejo, e sei lá eu o que vejo. Se o que sinto tolda a racionalidade, e a razão, e sugestiona-me em mais do que aparentas. E imagino-te em mais do que és. E gosto do que imagino. E o que és, perco-me sem o saber. E nisto um critstal transparente, luzidio e brilhante, quebra-se em farpas finas e glicerantes nas minhas mãos que o seguravam sem certezas. E o vidro  que reluziu, é agora a pior das lâminas que me fere a carne. E é o sangue que escorre. E é o brilho que se perde. E foge o encanto, a magia, a sedução e toda a transaparência. Muitas vezes somos apenas o que os outros veêm. E tu és -ou foste- aquilo que eu vi. Que mais ninguém viu. Que mais ninguém conseguiu ver, nem conseguiria. Nem mesmo tu.

É duro…

01/03/2010

… descobrir que te adoro no beijo de outro homem. Saber que não te desligo de mim, apesar de todos os esforços. Não conseguir dançar esta dança sem fim, nem ter mais forças para continuar. Porque não tenho estofo. Nem ritmo. Perco-me nos pensamentos que me levam a ti quando o corpo fica imóvel. E não te encontro na ponta dos dedos. Nem me encontro na razão. E nego-te na mesma medida em que te afirmo. E vou estando assim. Nesta dura incerteza que me dás do amanhã. Neste sentimento vazio da tua ausência. Nesta ansiedade de um dia atrás do outro. Sem ti.

Sabias?

03/02/2010

E depois penso que é por seres exactamente assim, sem tirar nem por, o motivo que me faz gostar de ti. És um desafio todos os dias. Uma irritação todas as noites. E um sorriso na cara a todo o instante. E se voltar atrás no tempo, continuo a achar tudo perfeito. E pensar que havia coisas que só acontecia nos filmes. Ou aos outros. Que eu há merdas que não tenho sorte nenhuma. Mas desta vez não. Nem é pelo que poderá acontecer ainda. Mas pelo que já aconteceu. E agradeço-te por isso. E não é por ti. É por mim. E continuo a dizer-te que as pessoas não se cruzam comigo por acaso. E que isto -leia-se a vidinha- consegue ser estupidamente perfeito, mesmo que só percebamos depois.

Perco a conta às vezes em que digo que agora é a minha vez. E de pensar por breves minutos que as coisas podem correr todas bem. E que existe um foram felizes para sempre à minha espera. Para depois perceber que a realidade me maltrata os sonhos, e fere-me os desejos. E saber que posso magoar-me e insitir. De olhos fechados. Braços abertos. Sem qualquer tipo de protecção que me facilite a queda. Porque voo alto. E enquanto o meu pensamento ganha distância de mim, a realidade não nos acompanha. E o coração dilui-se em tantos bocados quantos os grãos da areia do deserto. E uma brisa mais suave sopra-o para longe. E fico assim. Sem ele.

Já tentei começar a escrever duas vezes. As mesmas vezes que apaguei letra a letra das frases que construí. Não vou conseguir ser suficientemente clara. Temo. Porque isto de te ter encontrado em tropeção não me deixou indiferente. Porque apesar do meu constante estado de negação acabaste por deixar rasto. E memória. Mas duvido-te. E rejeito-te. E maltrato-te se for preciso. Porque me protejo. E envolver-me (mais) contigo, é o mesmo que percorrer a linha de um trapézio sem rede a vinte metros do chão em bicos de pés e olhos fechados. És o perigo que não me larga. Que me atormenta os dias e as noites. Intrigas-me por vezes, outras indignas-me. Malvado sejas que me roubaste a alma com o olhar. E ficaste com ela. Levaste-a contigo, e não a queres devolver. Eu finjo que não é nada. Fico rude se for preciso. E fria. Afasto-te. Afasto-me. Ao mesmo tempo que te desejo colado a mim como na primeira vez. Cada vez mais.

 

Tenho para mim que há pessoas que surgem na minha vida só para me baralhar o espirito. E lançar o caos e a confusão. E fazer-me pensar. E encontrar uma assim logo no primeiro dia do ano tem a sua piada. Começamos bem. De um olhar para um envolvimento foi um passo. Acontece. E teve a sua magia. E foi bom. E gostei. Bastante. Mas depois falta-me qualquer coisa. Tenho umas cordas âncoradas a um passado que me lixam o esquema todo. As putas pá.

29/12/2009

Nuno Moura, em Soluções do Problema Anterior, &etc, 1996

Livraria Trama

29/12/2009

Ás vezes venho aqui escrever qualquer coisa…

…. só porque tenho a sensação que sabes onde quero chegar.

Lembra-me…

19/12/2009

Lembra-me de encontrar-te quando te sentires perdido. Fecha os olhos. Deixa-te cair para trás com a segurança de que estarei lá para te agarrar. Não passei por acaso. Por ti. E em cada linha da palma da tua mão que percorri com a ponta dos dedos alvitrando destinos. Porque a vida pode ser maravilhosa se não tivermos medo dela. Dizia o Chaplin, e digo-te eu.

Porque sei o que custa o que sentes agora. Porque gosto de ti daqui ao infinito e mais além. Porque sofro contigo ao ver-te assim. E a impotência que tenho é maior. Porque os meus abraços não te amenizam a dor. E a amizade não colmata outros sentimentos. E se te disser que o tempo vai ser o teu melhor amigo não vais querer saber. Já todos te disseram o mesmo. E tu sabes. E a mulherona que és esconde-se atrás da menina frágil que agora mostras. A quem quer ver. E queria muito fazer-te uma festa na cara e dizer-te que amanhã ao acordares as coisas já estarão bem. Mas o provável é não estarem. Os silêncios vão continuar. Por algum tempo. Sim, o tempo. Já disse que o tempo vai ser teu aliado? Pois. Vai. Enquanto isso o telémovel vai continuar a causar-te esperanças vãs sempre que tocar. Vais continuar a querer ver aquele nome no ecrã a chamar por ti. E vais ficar desiludida quando perceberes que afinal não é ele. E vais querer não atender. E só vais querer sair à rua em dias de chuva para disfarçar as lágrimas que te correm na cara. E vais querer fechar as portas e as janelas que te mostram ao mundo. E vais continuar com os porquês. E achar que te perceberam mal. Que foram intolerantes. Que é legitimo teres dúvidas, e que isso não é sinónimo de coisas mal resolvidas. Vais sentir que foram implacáveis, e que não te deram mais oportunidades. Que te viraram as costas, quando o que precisavas era que te estendessem a mão. E vais querer ir aos sitios onde estiveram como se à procura do cheiro dele. E vais lembrar-te dos bons momentos através das pequenas coisas. E vai doer-te o peito desmesuradamente. E a alma. E vais insistir em ouvir as musicas que ouviram e desejar que elas acabem. E vais rasgar as cartas passadas, ao mesmo tempo que feres o dedo ao eliminar as mil mensagens que ainda guardas no telefone. E vais querer apagar o numero dele. E os mails. O mail. Exactamente ao mesmo tempo que desejas permanecer com tudo como estava. Porque o amanhã não se sabe. E não se sabe. A vida dá muitas voltas. O tempo… já te falei no tempo? Sim, o tempo vai encarregar-se de te aliviar as mágoas. E transformá-las. E a estrada que percorrias podia ser um desvio. Ou então era o caminho principal e o desvio chegou agora. E se tiveres que lá voltar, voltas. Mesmo tendo que percorrer quilómetros com os pés noutra estrada. E se lesses isto ias encolher os ombros e achar que é fácil falar. Que pior é sentir o coração esfrangalhado pela dor da ausência. E da saudade. E eu sei que é. Mas também sei que o tempo… já te falei no tempo? O tempo vai imcumbir-se de ti.

Gosto-te.

06/12/2009

Se te feri foi sem querer. Sem me aperceber. Era tudo mais fácil se fossemos donos de nós. Não somos. Se te dizem que sim, mentem-te. Se pudesse escolher, tinha-te escolhido. Sem hesitar. É como uma sina. Caminhos cruzados numa estrada conjunta que acaba por se separar. E continuo a gostar da ousadia, do espirito rebelde. Da liberdade que trazes no peito. E da vontade de mudar o mundo. Na força que tens para segurar-me. Na luta que travas pela conquista. Esta. Nos desafios que superas. No porto de abrigo que consegues ser. Amigos? Farei por isso. Sempre.

Na mouche!

05/12/2009

- Meu caro Kafka, a maioria das pessoas chega a um ponto na vida em que já não se pode voltar atrás. E, em raríssimos casos, a um ponto em que já não é possível avançar. E quando se chega a esse ponto, não temos outro remédio senão aceitar calmamente o facto consumado. Só assim é que se sobrevive.

Haruki Murakami, in Kafka À Beira-Mar

01/12/2009

Sou diferente, quando não estou contigo: argumentativa, influente, persuasiva, convincente. Sou a que arrasta multidões, a que quando fala os outros baixam as orelhas, a que tem histórias para contar, teses para defender e pontos de vista para demonstrar, catedrática e exegética. Mas olho-te a boca e fico assim, meio gaga e cacofónica, trapalhona e concordante, onomatopeica e monossilábica, tímida e desconchavada, acometida de dislexia verbal, a querer tomar-te o hálito e desapertar-te as calças, como se nisso residisse toda a minha erudição. Sou palavras que se trocam, raciocínios descabidos, piadas sem graça nenhuma e pernas sem poiso certo que me vão sobrando por debaixo da mesa. À vista dos teus olhos, que se cerram devagar enquanto me engolem inteira, vão-se num ápice, a extremosa educação de colégio, os pudores e o civismo, a contenção e a compostura, e eu intuo mais do que entendo e farejo mais do que penso. Porque há qualquer coisa em ti que quase me priva de humanidade, que faz de mim um bicho, uma fêmea no cio reduzida à urgência do instinto animal. E isto porque os teus olhos e a tua boca, porque ainda e sempre a tua boca, eloquente, concisa e segura, como se isso importasse alguma coisa. A tua boca, em nome da qual apetece erguer altares, queimar incensos, acender velas, fundar uma religião, recortes e ex votos colados à cabeceira da cama, preces diárias, promessas. Sou diferente, quando não estou contigo, sou razão pura e não esta fé pagã; sou cidade, prédios e prumos, e não um punhado de terra molhada, fecunda e seminal. Sou o perímetro exterior de mim própria e não o âmago de tudo o que afinal me compõe.

30/11/2009

Às vezes adormeço com o passado nas mãos. 
Como a teimar em segurar rasgos de dias que já lá vão e a querer mantê-los junto ao peito. Como se isso os fizesse permanecer no tempo. E eu pudesse vivê-los de novo.
Às vezes. Muitas vezes. Lembro-me de ti. E da forma como as almas podem encontrar-se de raspão. De como se cruzam em caminhos diferentes e insistem parar. Breves segundos. Até se separarem de novo. Ou não. Porque em certas alturas, afastam-se apenas os corpos. É que Elas, uma vez que se atrevessam, perduram. Mesmo num resquicio da memória. Mesmo que divididas pela travessia apartada dos seres.  Ou mesmo escondidas por outras, novas, que surgem e as atropelam. 
Perco a conta aos dias em que percebi a tua alma. Ainda que em silêncio. Ainda que ao longe. Perco a noção a outros tantos dias em que fingi não perceber. Nem ver. E outros ainda em que embora percebendo, não assenti. Discordei. Indignei. Momentos houve em que quis dar-te o meu colo e regaço. Quis soprar-te os fantasmas, e levar para longe os teus medos. Sacudir a ansiedade e acalmar a tua inquetação. Quis garantir-te que comigo por perto, ninguem pode fazer-te mal. Nem nada corre mal. E quis dizer-te baixinho que tudo está bem quando acaba bem. Mas sou discreta. Muito. E serena. Cada vez mais. 
 Às vezes adormeço com o passado nas mãos.

SMS

28/11/2009

Queria dizer-te que estou cheia de saudades tuas de trabalho, mas temos que arranjar tempo para um beijo café. Balé?

É assim preciso a coragem que torne o nosso afastamento tão belo como o nosso encontro. Só o silêncio nos poderá agora ajudar. O silêncio preservar-nos-á dentro de nós, no sítio onde nos encontrámos e onde continuaremos juntos, muito quietos, a olhar-nos fixamente nos olhos. Nós não, mas as nossas almas saberão de nós.

Saudade

22/11/2009

Sf.,
-lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
-pesar pela ausência de alguém que nos é querido;
-nostalgia;

Bot.,
(no pl. ) lembranças afectuosas a pessoas ausentes;

Engano-me.

21/11/2009

Fiz de propósito e em consciência. Deixei-me levar pela ebriedade tumultuosa. Ainda que pacificamente dominada por resquícios de lucidez. Quis sair de mim, fechar os olhos e sair. Sentir de novo aquela envolvência dos teus beijos e acabar em sorriso. Procurei-te em todos os recantos. Procurei-te em cada som, em cada cheiro ou sabor. Em cada pormenor. E desejei-te noutro homem. E o barulho que o fez aproximar-se do meu ouvido encurtou a distância das nossas bocas. Nesse momento quis achar-te ali. Descobrir-te de novo num beijo que não o teu. E quis fintar a ilusão. E quis sorrir no fim.

…………..

16/11/2009

Quando vejo que já não posso fazer mais nada de nada, arrumo o que me pertence e vou. Mas levo as memórias, essas não as largo ao vago e vão. Nem lhes viro costas. Guardo-as no peito, na alma e acompanham-me. Para onde for. Deixo ficar só o que não me pertence. Minto. Às vezes forço a trazer o teu amor, mesmo sabendo que não é meu. Furto-te pedaços dele. Nos pormenores e ilusões. Nas dúvidas e incertezas. Na insatisfação e ansiedade. Mas um qualquer dia volto atrás. Volto para te buscar. Volto porque sim. É só imaginar-te perdido e vou à tua procura. Em jeito de protecção talvez. Ir para cuidar de ti se precisares de mim. Ou isso será uma mera desculpa. O que não vai interessar para o caso. Páro à porta de tua casa e trago-te comigo. Nem que seja por um dia. Entretanto por enquanto, continuo assim. Bem.

- Note To Myself -

14/11/2009

Que cena, meu!

13/11/2009

Não sei se já disse isto, mas adoro quando a realidade ultrapassa largamente a mais rebuscada das ficções. Coisa que acontece basicamente todos os dias.

Dói-me a saudade.

07/11/2009

Que me surja a febre, a gripe, uma puta de dor de dentes. Que alguém me atropele e me machuque por fora, me cause agonias e maleitas, mas não me venha a saudade. A saudade que me desespera e corrompe, que me angustia e desorienta. Porque ela é uma merda. É a pior dor e ferida que sinto. Num diagnóstico onde a cura é lenta, muito lenta. Já virei costas, já deixei para trás tudo o que tínhamos e mais alguma coisa. Sim, tínhamos. Já esqueci. Já mudei o rumo, o ar, o olhar, o sorriso, e o mais que me provocavas e saía ao teu jeito. Mas ainda assim há laivos de ti em mim. E isso não me agrada , nem um bocadinho. E gosto que as coisas sejam todas à minha maneira, não me venhas contrariar. Perco-me só neste caminho onde não sei onde acaba o sentimento e começa o saudosismo. Ou vice-versa. E o fascínio pelo desconhecido consegue ser maior do que aquilo que já se conhece. Ou pensa-se que se conhece. Porque se virmos bem, não conhecíamos assim tanto.

*Melody Gardot

“É que a mulher que lê adquire um espaço a que só ela e mais ninguém tem acesso”, o que a leva a desenvolver um estado independente de auto-estima. Além disso, “cria a sua própria visão do mundo, não necessariamente correspondente à transmitida pela tradição, nem à dos homens”.

Olha querido,

31/10/2009

… a nossa distância aumenta em segundos. O que nos separa não são estradas longas de percorrer mas sim o tempo que passa. Amanhã estarei ainda mais longe do que estive hoje. E depois de amanhã. E depois. E depois. Até que nunca mais se reconhecerá o caminho de volta. Perder-me-ei noutros rumos. E o regresso a ti será impossivel.

……

26/10/2009

Ás vezes faço de propósito. É com intenção que te nego as palavras. E os sorrisos. E o mais que procuras e não encontras. Porque não sei o que esperar de ti. Nunca me disseste. E isto a vida dá muitas voltas, já reparaste? Eu notei isso há segundos. Não, mentira. Sei disso há algum tempo. Mas todas as vezes que sou surpreendida é como se fosse a primeira vez. E enquanto continuares com essa postura, eu vou continuar com a minha. E paciência se estou a perder. É que podia gostar de ti como gosto dos outros. Gosto moderadamente dos colegas, dos amigos, dos casos. De ti gosto mesmo.

22/10/2009

Estou há dias a tentar perceber de que lado está a “bola”.
Se do meu lado, se do teu.
Não sei quem deve dar o pontapé de saída.
E não há árbitro que nos valha.
Neste jogo sem regras.
Afinal de que lado está a “bola”?
Do meu lado, ou do teu?
O certo é que o jogo não avança.
Perdemos os dois.

Porra, pá!

20/10/2009

Cheia de duvidas. Sem saber que chão piso. Que caminho percorrer. Mensagens com ruído. Palavras por dizer. Sentimento que se retém. Aperto na garganta. E no peito. E na alma. E no corpo todo. Querer apagar tudo e começar de novo. E querer que algo mude. E não saber como fazer. E querer um sinal e não ter. Ou não perceber. E a dúvida novamente. E atrás de uma vem sempre outra. Nova, maior, arrebatadora. E as saudades. E não saber o amanhã. E não contar contigo. E não saber de ti. E um passado. E nenhum presente. O que esconde os teus olhos. O que guardam as palavras que não dizes. E o telefonema que não fazes. Nem eu. E a dor que massacra. Mói. Corrompe. E a cicatriz que abre. Ferida que não sara.

Falar de Ti.

19/10/2009

Hoje era daqueles dias em que me apetecia falar de ti. Assim sem escolher as palavras, e não pensar nas frases. Falar de peito aberto a quem quisesse ouvir. De coração a transbordar de ti. Queria chamar os estranhos que se sentavam ao meu lado naquele café, e dizer-lhes que existes. Descrever-te-ia da melhor forma que pudesse. A única. Contava-lhes como esse sorriso mexe comigo. Queria descrever o jeito da tua boca, o movimento do esticar dos teus lábios, e contava os traços que a tua pele faz quando ris. E queria imitar o som da tua gargalhada. E esse fechar de olhos, no ínfimo segundo em que coordenas a respiração e o suspiro profundo. Queria dizer-lhes ao que sabes. Porque essa história de todos os homens saberem ao mesmo, é nos livros, e nos filmes. As descrições roçam numa unânime poesia de sabores que pretendem encher a alma. Quanto a ti poupo nas palavras. Sem pretensões, porque esse teu paladar sacia-me. Queria dizer ao que cheiras. Desse perfume único que se mistura na tua pele diferente das outras tantas. Dizer como chegas apressado ao pé de mim, nesse passo de um pé à frente do outro, tão distinto. E esse balançar de braços enquanto seguras numa mão as chaves do carro, a carteira, e o telefone que te esqueceste de por no bolso das calças. Queria falar disso e muito mais. Queria contar-lhes como és. O que pensas. Queria dissecar o teu mau feitio. Mas acima de tudo o bom. Esse jeito de saberes levar-me com essa tua forma de estar conscenciosa. Esse teu sentido de justiça empírico, que no limiar da profundidade consegue ser maior do que o meu. Esse teu passar pela vida dos outros sem indiferença. O querer deixar este mundo melhor de como o encontraste. Mas contive-me. Achei que podiam gostar tanto de ti como eu. Ou mais ainda. E não é que isso seja mau. Mas o meu egoísmo leva-me a querer fazer de ti segredo. Como aqueles tesouros preciosos que não se partilham. E não quero que te vejam através dos meus olhos. Nem que te ouçam através das minhas palavras. Que por mais justas que sejam, serão sempre as minhas. Hoje quis falar de ti. Ainda que pela metade. Ainda que nem lhes explicasse sequer como são os teus abraços. Nem o teu olhar. Nem tantas outras coisas mais. Hoje quis falar de ti.

Nota:

17/10/2009

Posso ser impaciente. Ou descontraída demais. Posso não ligar nenhuma, ou ser tomada por uma dose de ciume irracional. Mas se isso acontecer terei as minhas razões. Sabes que não é de ânimo leve. Sou mesmo muito boa a analisar situações, e isso é lixado. E podes acusar-me de ser arrogante e insensível. E podes dizer muitas outras coisas. E podes pedir que fique. Que não vá embora. Que reconsidere. Podes mostrar arrependimento, saudade e desespero. Podes relembrar as vezes que quiseres o quanto eu fui, o que sou, o que significo. Podes pedir desculpa e tentar embriagar-me com palavras etílicas. Porque frágil fico melhor de conversar. E de convencer também. Baixo este meu ar altivo, e assim não te sentes intimidado. Fim de noite, de cara lavada, sem maquilhagem, de cabelo solto entrelaçado. Mulher, mas muito mais menina. Sei bem como pensas. Mas não vale a pena. Já te disse que sou mesmo muito boa a analisar situações? Pois é. E isso pode ser uma merda. Porque vejo o filme antes da estreia. E se quiseres conto-te como acaba a história. Ainda que agora não acredites.

11/10/2009

- Wait. So… Because I’m a beautiful woman the only reason any man ever wants to talk to me… is because he wants to fuck me. Is that what you’re saying?

- Well, I don’t think it’s quite that black and white…but I think we both know what men are like.

Eyes Wide Shut

Quase Dedicado

10/10/2009

Queria escrever algo significativo. Assim em jeito de memorando. Assim bem ao jeito de quem tem a certeza de que há sentimentos que mudam. Que há antigas paixões que acabam num carinho enorme. Mesmo depois de momentos conturbados. Daqueles pouco dotados de razão ou racionalidade. Momentos embriagados por falta de lucidez. Encerrados por um sentimento de posse que nos encobre. De raiva. De indiferença. De afastamento. De não querer saber. Mas depois o tempo acaricia a mágoa. Leva para longe a nódoa negra que irrompeu da pele. E vem lembrar que pode sobreviver a amizade. Que ela não desaparece. Nem se transforma num qualquer ressentimento. Pelo contrário. Converte-se em serenidade. E bem mais que isso. Houve tempos em que te queria. Agora quero-te bem. Muito bem. Faz toda a diferença.

Outubro

06/10/2009

Parabéns a ti que conseguiste nascer um dia antes de mim. Aposto que fizeste de propósito. Resolveste nascer só para marcar lugar no pódio. O primeiro claro, que não fazes a coisa por menos. Só para dizeres que cheguei depois. Que tu já cá estavas. Tenho a certeza. Podias ter esperado um bocadinho e vínhamos no mesmo dia. Mas não. Apressado. Sabes que sei que escolheste o melhor lugar daquele berçário. É que tens ar disso. Embora nunca me tenhas confessado. Aposto que estavas ao pé da janela. Com uma qualquer vista para aquele bairro de Alvalade. Eu não devo ter ficado perto de ti. Já desde aí devia evitar-te. E se estive ao teu lado nessa altura foi contrariada. O facto de ter acabado de nascer não me dava grande lucidez. Depois desse dia, naquele inicio dos anos oitenta, nunca mais nos vimos. Que me lembre. Encontramos-nos dezoito anos depois. E continuávamos. Escolhias o lugar à janela. E eu escolhia ficar longe de ti. E tu sempre a fazer a festa um dia antes de mim. E eu no dia a seguir. Ou no mesmo dia, que os fins de semana têm destas coisas. E tu a fingires que não me vias. E eu a fingir que não te conhecia. E tu a dizeres-me boa noite. E eu a dizer-te olá. Parabéns a ti.

Sou perita em lembrar-me de detalhes. Aqueles mais comezinhos que fogem ao alcance dos demais. Raramente me esqueço de coisas importantes. E das que não têm importância nenhuma também. Há uma bebida que me reporta a ti. Pior. Há uma bebida que me reporta a um dia passado contigo. Ás vezes é um exercício de puro masoquismo quando a minha sede me leva a pedir aquele liquido. Outras acho que é como uma necessidade de afagar ao de leve a saudade. Saboreando-te através de um copo de vidro transparente cheio do gelo que conserva a tua existência. Sei que inevitavelmente ao primeiro trago vou viajar para o passado. Aquele dia está marcado em mim. Pregado tal e qual uma ferradura no casco de um qualquer cavalo lusitano. Absorvo aquele sabor e surges tu. E surjo eu. E surgimos nós. Consigo saber o que fiz antes de estar contigo, o que fiz durante, o que fizemos. Vejo todos os trajectos que partilhamos nesse dia. Com quem estivemos. Onde estivemos. O que me disseste. O que te disse. O que nos disseram. O que se disse. Sei de todos os pormenores. Todos. E como eu gosto de pormenores. Sei o que tinhas vestido. Ao que cheiravas. Sem qualquer esforço de maior consigo ver esse dia. Basta beber aquela bebida. Aquela bebida que não me sabe a ti, mas que sabe à tua presença. E sinceramente não sei se isto é bom. Mas não há nada a fazer. Porque esta coisa chamada memória é tramada. E a minha em especial, porque é das boas. Ou das más. É tudo uma questão de perspectiva.

Com saudades do Sol que me entrava na pele. A sentir a falta da areia que me escaldava os pés. Do mar que me lavava a alma. Do corpo molhado e refrescado. Não tanto da praia. Não adoro fazer praia. O que adoro é estar lá com vocês. E o demais vem por arrasto. Saudades dos fins de tarde a ver o pôr do sol. Das gaivotas que chegavam à areia ao mesmo tempo que chegavamos à esplanada. Saudades das caipirinhas ao fim do dia. Dos mergulhos na piscina à noite. De não ter horas para nada. De ter tempo para tudo. Das minhas caminhadas à beira mar. De dançar todos os dias. Das conversas. Dos jantares. Das noites quentes. E das noites frias e húmidas também. Saudades daquele vinho tinto. Das gargalhadas. E até dos meus dramas da época. Saudades do Verão. Saudades de ti, dele, delas, deles, vossas, nossas.

Se bem que posso ter isto tudo, ou quase tudo, em qualquer altura do ano. O que é – diga-se – uma coisinha boa. Muito boa. Mas ha momentos que não se esquecem. E o meu Verão passado é um. Mais um.

Nunca fui grande fã de ninguém. Nem de actores, nem realizadores, nem jogadores de futebol, nem de cantores, nem de baixistas, pianistas, controcionistas, modelos, o que for. Nunca fui menina de ter grandes considerações para lá do razoável por ninguém que não conhecesse. Mas este menino. Oh minha nossa senhora. Este menino tira-me do sério. Ainda bem que já não estou na idade de usar dossiers da escolinha, caso contrário iria sucumbir à pirosada de o forrar dentro e fora com a cara dele. E corpo. E tudo no geral. Gosto dele. Gosto. Sou fã confessa e convicta. Ele seduz-me. E gosto da inteligência. E gosto do humor. E gosto da sagacidade. E gosto da audácia. E gosto do sarcasmo. E gosto da cultura. E gosto da postura. E gosto da biblioteca dele. E gosto do charme. E gosto do sorriso. E até gosto do tique de por a mão à frente da boca. E gosto. E gosto muito. Era menina para me perder e tudo. E começo a achar que ando com tendência para pessoas de esquerda. Ando, ando.

Quem é que diz sempre mal do Parque das Nações? Euuuuuuuuuuuuuuu!
Quem é que não gosta do Parque das Nações? Euuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Quem é que evita ir a cafés e a jantares no Parque das Nações? Euuuuuuuuuuuuuuu!
Quem é que não vai nunca ou quase nunca para a zona do Parque das Nações? Euuuuuuuuuuuu!
Quem faz cara feia ao Parque das Nações? Euuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Quem ladra e rosna a pessoas que combinam coisas no Parque das Nações? Euuuuuuuuuuuuuuuu!
Quem é que recebeu uma proposta de trabalho no Parque das Nações? …..Eu!….
Quem é que aceitou a proposta de trabalho no Parque das Nações? … eu …
Falava-se nos primeiros dias de relações. E fiquei a pensar como eu lido com isso. Acima de tudo acho que cada um age de acordo com a sua personalidade, com as vivências que já teve, com a experiência, com bom senso. Eu procuro ser serena. Não gosto de entregas avassaladoras nos primeiros momentos. Não é não gostar, que às vezes também faz falta. É… Não sei o que é. É a minha postura. Talvez por medo. Talvez porque não consigo conceber entregar-me completamente a quem e com quem ainda não construi nada. Porque passo a passo as coisas fazem muito mais sentido. Porque ninguém se conhece em dias. Porque sou extremamente calma, não gosto de pressas. Porque pretendo construir uma amizade subjacente ao que quer que seja. Porque me preocupo em deixar este mundo um bocadinho melhor do que o encontrei e isso passa por saber gerir os meus afectos e das pessoas que me rodeiam. Passa por levar algo de novo a quem se cruza comigo. E trazer também. Cada pessoa que passa na minha vida será sempre vista como uma bênção. Mesmo nos maus momentos. Porque, como aprendi com o Principezinho ainda no auge da minha adolescência, torno-me responsável por aquilo que cativo. E à medida que vou crescendo, vivendo, percebo cada vez mais o sentido da frase. A minha lucidez racional consegue dar-me as coordenadas para um comportamento pautado de reservas em vez de entregas. Faz-me querer ter calma. Faz com que não queira entrar no espaço do outro de forma invasiva, ainda que me peçam. E acima de tudo, faz com que queira ser sempre eu, e não aquilo que esperam que eu seja.

Ele – Sonhei contigo hoje.
Eu - ( A achar o facto muito interessante) Ena, ena! Que giro. Então conta lá. O que sonhaste?
Ele – Estavas comigo no Estádio da Luz.
Eu – No Estádio da Luz?!?! A fazer o quê? ( Cara de parva mode: ON! )
Ele – Estavas comigo a ver o Benfica- Porto.
Eu – E foi só isso? ( A achar que ainda havia algo mais engraçado….)
Ele – Não! Queres saber o melhor?
Eu – Quero! ( A pensar, pronto ok, o Estadio da Luz é um sitio fetiche ou algo do género, agora é que vem a parte boa da coisa….)
Ele – O Benfica estava a dar seis a zero aos tripeiros caraças!!!!!!!!!!
Eu – ………………………….. ( No comments… )

I rest my case!

Vá, a Bica nem é assim tão linda, há sitios melhores, mas hoje houve momentos a registar.

Às vezes apetece-me ligar a uma e a outra pessoa, e dizer coisas que nunca disse. Pedir desculpa, por exemplo. Ou dizer que lamento o meu comportamento em determinadas alturas. Ou que estive mal em certas situações, mas que só percebi depois. Ou que não queria ter feito aquilo, mas sabe Deus porquê o fiz. Neste momento, neste preciso momento, apetecia-me dizer-lhe apenas isto: podes contar comigo, nos bons e maus momentos. Mas não vou dizer. Nem sei porquê.

Aquele gato preto.

23/09/2009

Há duas semanas sensivelmente, fui ver na Quinta da Regaleira em Sintra, uma peça de teatro (a Tempestade de William Shakespeare). Ora, a peça era às dez da noite nos jardins da Quinta. Para quem conhece a Regaleira, sabe que a mesma possui uma espécie de misticismo único. É maravilhosa de dia, com paisagens fabulosas, mas de noite consegue atingir uma aura de mistério enorme, de enigmático, com uns níveis energéticos fabulosos. Depois de levantar os bilhetes, dirigimos-nos à esplanada do jardim da Quinta, onde a meia-luz nos serviam cafés e água. Estivemos lá ainda um bom bocado até ao início da peça. A usufruir a beleza daquele lugar, as árvores, a arquitectura, a ver a fachada do palácio, o jardim. Parecia que tinha sido transportada para outro século. Um tempo de príncipes e princesas. Entretanto, do nada, aparece um gato. Um gato pequenino, todo preto, frágil, com um ar amoroso. O gato chamou a atenção das pessoas que ali estavam, e a minha em particular. Enquanto o observava, saído de não sei onde, ele caminhava em direcção à minha mesa. Passou por outras mesas, sempre no mesmo passo, só parando ao lado da minha cadeira. E ali ficou. Completamente rendida a ele, peguei-o ao colo. De tão pequenino, e de tão levezinho que era, quase dava para trazê-lo comigo dentro da mala. Confesso que essa ideia me passava constantemente na cabeça. Os meus amigos brincavam com a situação, “pronto, já vais roubar o gato” diziam. E de facto era mesmo isso que me estava a apetecer. Não tivesse ainda umas três horas de peça pela frente. Fiquei com o gato no meu colo, nos meus braços, nas minhas mãos, na minha mesa uns vinte minutos. Separar-me dele custou-me. Quando o deixei parecia que estava a abandona-lo. Quem estava comigo procurou distrair-me “anda lá, não sejas parva, o gato é aqui da Quinta, tem comida, blá, blá, blá”. E eu segui caminho. Sem gato preto. Vi o teatro, distrai, mas no fim voltei a pensar no gato. Continuei a pensar no gato no dia a seguir, e no outro dia, e no outro dia. Chegando mesmo a ponderar voltar lá para o trazer para casa. Mas os dias vão passando. Até que agora sonho com o gato preto. Estou há uns três dias a sonhar com o gato preto. E acho que isto já roça o fora de normal. Em jeito de curiosidade fui ver o que significa sonhar com gatos pretos, mas fiquei basicamente na mesma ao ler isto:

“O gato simboliza a natureza felina da mulher, a volúpia, mas também a disputa e a perfídia. Sua presença em sonho anuncia libertinagem, traição ou adultério. Se ele se esfrega em nós, representa um carinho interessado. Se ele dorme, é sinal de que os inimigos nos deixarão em paz, pelo menos por algum tempo. Pode significar também um estado de ansiedade, principalmente se ele for preto. É de bom presságio – é sinal que você deve ter cuidado com a inveja e falsos amigos. No amor tudo ficará as mil maravilhas; com vários convites interessantes. “

E isto:
“Os gatos têm fama de serem animais matreiros e falsos, que atacam à traição. São também animais associados ao feminismo, mesmo tratando-se de machos.
1. Sonhar com gatos significa que terá uma desilusão, com alguém que considera de confiança a trai-lo. Deve ter cuidado com os falsos amigos e com pessoas que se poderão aproveitar de si, sem medo de o pisar para atingirem o que querem.
2. Um gato no seu sonho significa também a agressividade feminina, o poder de conquista: a sua submissão a ela (se for homem) ou a sua capacidade de o fazer (se for mulher). “

Alguém sabe mais alguma coisa sobre o assunto? É que estou mesmo curiosa. Mas ainda acho que a solução passa por ir lá “raptá-lo”. Ou então não.

… mas estas coisas maçam-me um bocadinho!

Por exemplo.

17/09/2009

Diz-lhes para fazerem as coisas enquanto estou acordada. Não quero anestesias. Quero sentir o bisturi a cortar-me a pele, a perfurar-me a carne e a rasgar-me o peito. Quero, pronto. Será sempre menos doloroso do que aquilo que sinto agora. E escusas dizer-me para ser paciente e tolerante. Que vão cuidar de mim. Que nada de mal vai acontecer. Cala-te. Não quero que cuidem. Eu sei a prescrição indicada. Só não tenho como tomar. Porque infelizmente não dá. As coisas não são fáceis, e tu sabes isso. Não me olhes assim com esse ar de comiseração. Fazes-me ter vontade de empurrar-te daqui para fora. Por isso sai. E abre as janelas, deixaste aqui um rasto de ti espalhado em cada partícula de ar. Ficaste impregnado neste lugar, e não foi pouco. Cheiro-te em todo o lado. Sai. E fecha a porta. Não quero que voltes a entrar sem eu dar por isso.

Too late…

16/09/2009

- I don’t love you anymore.
- Since when?
- Now. Just now. I don’t want to lie. Can’t tell the truth, so it’s over.
- It doesn’t matter. I love you. None of it matters.
- Too late. I don’t love you anymore. Goodbye.


in Closer

I need your grace
To remind me
To find my own

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

Triste

16/09/2009

Tenho saudades…

Ele hoje ligou-me, e sem eu esperar convida-me para jantar. A minha resposta, inteligente que só eu, fiel a mim mesma, “Uhmm, jantar? Hoje? Não sei se posso, aliás, nem sei se me apetece, estou com imensa coisa para fazer e amanhã tenho que madrugar, não dá muito jeito”.
Ele reage com um mero e singelo Ok. Um Ok frio e seco do outro lado, um Ok que me doeu na alma. Mandou beijinhos e tal e desligou. Eu fiquei a pensar em mim, em como sou, e é oficial sou parva. Não lhe disse nada do que estava a sentir, aliás disse o contrario do que estava a sentir. ( Eu e o problema de expressão dos Clã. ) A resposta correcta, sincera seria “Uhmm, jantar hoje? Claro que sim! Que bom, apetece-me imenso estar contigo. Vamos no meu carro ou no teu? Queres que te vá buscar, ou encontramos-nos lá?”. Mas não.
Posto isto repito, alguém me espanque violentamente, a sério, estou mesmo a precisar de uma grande dose de violência sobre mim mesma. Já agora, ao voluntário que aceder ao meu pedido, para o caso das coisas correrem para o torto, e eu for desta para melhor, queria desde já deixar claro, que na eventual lapidezinha onde supostamente consta nome e data de nascimento e essas coisas, a minha tem que ter “Aqui jaz uma estúpida”. É favor não esquecer. Agradecida.

Caminhos

13/09/2009

Olho para mim há uns tempos atrás e sorrio. Descaracterizada por situações exteriores, por contextos que não eram os meus, vivi imbuída num espírito de circuito, ao qual nunca fui integrante. Por vontade própria. Ás vezes é preciso passar por certas situações para saber mais de nós, daquilo que somos, onde queremos estar, como estar e com quem. Aprendi algumas coisas, mas principalmente aprendi mais de mim. Saí do papel de narrador participante, para ver a realidade com um distanciamento de tempo que me dá lucidez e maturidade. Coisas boas trago muitas, pena de as ter deixado nenhuma. Porque há gente que nos marca, e outros nem por isso. Porque no meio de muitos fica um, dois ou três em especial, e o resto vai-se esquecendo no passar dos dias. Porque as afinidades que se criam não são sólidas ao ponto de deixar saudade ou fazer sentir o vazio da ausência. Porque é muito mais o que nos separa do que nos une. Porque a diferença é maior, porque os interesses divergem, porque não somos todos iguais, não queremos ir para o mesmo sitio, fazer o mesmo caminho, e chegar ao mesmo lugar. Eu dei a volta numa estrada de terra batida, de chão instável e precário. Uma estrada que me levava para longe de mim. Saí dela e voltei a entrar na rota principal do meu eu. Trazia comigo o pó do percurso agarrado na pele. Sou brindada com um vento que me sacode e leva as reminiscências. E sorrio. Sorrio com carinho por uma pessoa, o motivo do desvio no sentido oposto. Sorrio com carinho por outras (poucas) pessoas que tornaram essa jornada especial. Sorrio pelas lembranças. Sorrio pelos afectos. Mas sorrio acima de tudo, por estar agora a andar numa outra direcção. A minha.

13/09/2009

Era uma vez um estranho. Há dias atrás, era uma vez. Mas agora vens ao longe, e já sorrio feita parva em gesto de reconhecimento. Chegas perto e é o desalinhar da postura que se quer direita. Pedes-me que desenhe nos teus lábios. Peço-te que me beijes a alma. Porque há cumprimentos que se querem exigentes. E eu sou. Muito. E tu sabes isso. É perigoso se entrarmos no jogo, é desmotivante se não tentarmos.

….

13/09/2009

( Nada a fazer, ando em modo Sara Bareilles esta semana. )

I’m not gonna write you a love song
’cause you asked for it
’cause you need one…

….. troca de olhares sim, mas troca de sorrisos….

Facto!

12/09/2009

Adoro um homem perfumado. Adoro, pronto. Um homem perfumado tira-me do sério. Quebra-me as defesas, e faz-me apetecer dar aqueles abracinhos prolongados no tempo…

Postal ilustrado!

10/09/2009


Pois que um amigo ( aquele ali de t-shirt branca a dizer G-53 e ar envergonhado) , lança um disco. Ah pois é! Conheço o Nuno há anos e este é um desejo dele de sempre que agora se realiza. E não posso deixar passar isto em vão. Aproveito e ajudo a divulgar. Sempre me disse que queria ser musico, e eu não ligava nenhuma. Quando acabamos o liceu lá fui eu para a faculdade e ele claro foi estudar para o Hot Club, para o Conservatório, para Boston nos E.U.A., e amanhã culmina com a apresentação da primeira obra. Eu obviamente estarei lá na primeira fila mais outros amigos para o apoiar. Vocês estão convidados também!

E copiando o anuncio aqui fica expresso o convite:

Esta quinta-feira, pelas 22h no Hot Club de Portugal, o guitarrista Nuno Costa apresenta o seu primeiro álbum de originais. Nuno Costa Quinteto apresenta-se como um projecto de jazz que tem uma forte influência do imaginário cinematográfico e conta com a participação de alguns dos mais reconhecidos músicos do panorama jazzístico português. Este primeiro disco é editado pela TOAP Music, editora reconhecida e aclamada pela crítica e que apresenta um selecto e restrito catálogo de músicos.

MAIS INFO: http://www.hotclubedeportugal.org/ http://www.jazz.pt/festival/2009/

VISITE: http://www.myspace.com/Ncosta

ENTRADA: €10 (oferta de número da revista Jazz.pt )

MORADA: Praça da Alegria 39 Lisboa, Portugal

TELEFONE: +351 213 467 369

Amiga- Pi queres ir ao Casino? Temos convites para o novo musical do Feist ali no Estoril!
Pi- Boa! Parece-me bem! Mas… espera lá, ah o musical do Feist? Já sei! Eu vi uma reportagem na semana passada! Vocês querem ir ver isso?!
Amiga- Sim, why not? Temos bilhetes, bora!
Pi- Er……………………..

Para quem não sabe o que é, falamos DISTO!

Aqui, a nudez não se considera gratuita. Eles tiram as roupas para mostrar de que forma os homens se sentem despidos de cada vez que falam de si próprios. E é disso que se trata: de coisas de homens, que vão do amor e da sexualidade às idas ao ginásio ou à cerimónia da circuncisão.”

……

07/09/2009

Não entres assim pelo meu gabinete dentro. Não entres. Não batas duas vezes na porta em tom de melodia feita por essa mão fechada. Não me sorrias nem me digas um bom dia em tom de sussurro. Não me perguntes como foi o fim de semana com esse olhar invasivo ao meu Eu. Podes perguntar tudo, mas não com esse olhar. Esse olhar que me desconserta e inquieta. Não me sorrias de soslaio quando estivermos a falar de coisas sérias. Não me fales de processos comuns nem datas de audiências que vou perder-me no calendário. Não me convides só a mim para almoçar. Olha as pessoas. Somos tantos, não me faças ir contigo sozinha. Não me sopres amuado pelo botão da camisa que te incomoda e a gravata que te aperta. Não me leves aos teus julgamentos, nem me faças ver-te de toga a pleitar com esse teu jeito. Não me faças gozar contigo outra vez e chamar-te piroso porque vais rir-te de novo e retribuir o elogio. E não me faças ceder quando ouvir esse riso desafiador. - E se em vez de irmos já para o escritório, fossemos antes ali? Não me faças mais esta pergunta. Não me obrigues nem me tentes a ir ali contigo. E gostar. Aproveitar o bom de Lisboa no meio de uma tarde quente de trabalho é quase pecado. -Temos coisas para fazer, lembras-te? Olha as horas! Não me digas para esquecer as horas. Não digas isso. - Cheguei há tão pouco tempo, não posso fazer estas coisas. – Podes sim! – Não posso!

03/09/2009

Ás vezes faço e digo coisas completamente infantis e parvas, que me descaracterizam! A parte boa, é que pelo menos tenho consciência disso.

03/09/2009

she takes just like a woman, yes, she does
she makes love just like a woman, yes, she does
and she aches just like a woman
but she breaks just like a little girl…

Bob Dylan

ESTOU…

31/08/2009

CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA!CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA! CONFUSA!

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta

Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

……

29/08/2009

Oh, I’ll hold still for a moment so you’ll find me
You’re so close, I can feel you all around me boy
I know you’re somewhere out there

Há pouco em conversa com alguém que me conhece francamente bem, descobri um bocadinho mais de mim. Ás vezes não basta olhar para dentro. Em conversa com gente que nos conhece há anos, que nos conhece a expressão da cara e a intensidade do olhar, também conseguimos conhecer mais de nos próprios. Ontem diziam-me que eu nunca sei o que quero, porque efectivamente não encontro o que quero. E ao ouvir isto tudo fez muita lógica. As minhas dúvidas, as minhas incertezas, a minha capa fria e agressiva, os meus medos, a minha não entrega, são sempre reflexo disso. Ainda mais quando por vezes temos um padrão do passado que ainda subsiste no fundo do inconsciente, embora se negue e rejeite com todas as forças. Esse padrão é o meu karma. Há meses que esqueço que ele existe, depois há alturas que até a dormir o relembro. Ainda mais nesta ultima semana de ferias, que frequentamos os mesmos sítios, estamos com as mesmas pessoas. O passado fica presente. Ele é muito especial ponto. Por tudo. Porem sei que não posso estar presa a isso, e muito menos remeter para ele todas as novas pessoas que se cruzam comigo. Tenho-lhe um carinho enorme e vejo-o hoje em dia com uma serenidade e uma tranquilidade fora do normal. É uma sensação de querer apenas entregar-me ao destino deixando-me ir no caminho que for, e o que tiver de ser será. Quero-o bem, e quero-me bem acima de tudo. Mas, e há sempre um mas, por vezes há termos de comparação que se fazem e que não se deviam. Já são quase dez anos de conhecimento, e apesar das pessoas maravilhosas que vão surgindo na minha vida, o lugar dele fica sempre à espreita. Daí que me tenham dito quase o obvio, que eu nunca sei o que quero, porque efectivamente ainda não encontrei o que realmente quero. É capaz. Eu não sei se isto faz algum sentido, dadas as horas da madrugada, espero que sim. E este blog esta a ficar estranho, tornou-se um sítio onde deixo os meus pensamentos em letras, sem qualquer filtro, nem rigor. Vou apenas falando, falando, falando..

Oh, I’ll hold still for a moment so you’ll find me
You’re so close, I can feel you all around me boy
I know you’re somewhere out there

Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar

Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?

Começou-se com um mau pronuncio, com uma musica que falava de um fim, um fim sem mas nem porquês, sem perceber razões… o destino estava marcado desde o inicio, e não quis ver. Hoje está tudo diferente, eu estou diferente, as coisas estão diferentes. Tento não me lembrar do passado para não estranhar mais o presente. Precisei de apagar todos os vestígios. Fiz coisas que critiquei. Mas a indiferença desejada ainda não existe e preciso de me proteger. Afasto-me agora. É a única solução que tenho. Pudesse eu ter borrachas que apagam erros, e mudava as linhas da história. Não posso. O pior, o pior é que trago muito pouco comigo. Lembranças? Algumas. Tenho que ser justa e reconhecer que houve momentos em que pensei que era capaz de ficar eternamente nos braços dele, porque estava bem. Estava mesmo muito bem. Só num abraço. As conversas intermináveis. Algumas gargalhadas. E a graça natural dele. Mas e mais? Mais nada! Não ficou nada, perdi um amigo, perdi uma companhia, perdi tudo. Se calhar não se perde o que nunca se chega a ter e não percebi isso. Na realidade talvez nunca tivesse chegado a ter. Vivi iludida que sim. Agora tenho uma magoa. A magoa de como as coisas se passaram, as diferenças de tratamento, a mudança repentina, a forma como acabou, os dias seguintes. Não estou para me sujeitar ao que quer que seja mais, nem bom nem mau, simplesmente não estou interessada sequer em tentar perceber mais nada. Porque não vou conseguir perceber. Não há dialogo já. E se fico triste? Sim, muito. E se posso fazer alguma coisa? Não, nada! Simplesmente quero e preciso de estar longe. Preciso de paz, muita paz.

Something always brings me back to you.
It never takes too long.
No matter what I say or do I’ll still feel you here ’til the moment I’m gone.

You hold me without touch.
You keep me without chains.
I never wanted anything so much than to drown in your love and not feel your reign.

Encontrar-te anos depois (um ou dois, mas que parece muito mais) e sentir a mesma coisa. Ou sentir bem melhor. Sentir a felicidade de voltar a ver-te, e ver-te bem. O mesmo sorriso. A mesma postura. O olhar de soslaio controlador e observador. A indiferença que não se disfarça, e o contemplamento de nós próprios. E estamos tão crescidos já. Foi essa a diferença. Olho para trás e rio das nossas guerras. Ontem deste-me paz. Só com a tua presença. Outrora não era assim. Vezes sem conta deixaste-me sem norte, e irritada, e as discussões sem sentido, e as milhões de vezes que fingi não te ver, que fingi não te conhecer. Ninguém diria que havia dias que começávamos às oito da manhã a tomar o pequeno almoço, que depois estaríamos uma manhã inteira nas mesmas salas, nos mesmos corredores, no mesmo jardim, ( tu e os teus decretos-lei vindos de não sei onde só para contrariar os professores, sempre me fascinaram… ) , e que de tarde íamos para a mesma praia (que no inverno estava vazia, era a melhor altura) ter com outras pessoas, mas quase as mesmas para nós. Horas e horas naquele café. E de noite de novo juntos, no mesmo bar, na mesma discoteca, separados mas juntos, até chegar os raios de sol da madrugada que acabava. Foram anos assim. Fiz tanta coisa mal. Mudava quase tudo. Não tenho o botão rewind da vida. Mas olho para trás e sorrio. Cresci contigo. Com sorrisos e lágrimas. Com nervos, gritos, desespero até, chegavas a incomodar-me. Irritavas-me tanto. Mas ontem… ontem foi tão diferente. Que paz em ver-te. E alegria. Fizeste-me tão bem que não imaginas. Apetecia-me ter-te dito milhões de coisas que guardei para mim. Apetecia-me muito. Queria que soubesses o que eu estava a pensar naquele momento, queria que soubesses muito mais do que sabes, mas nao te disse. Reconheço-te de olhos fechados, como naquele dia em que a tua energia me puxou para ti, mesmo sem ter-te visto. Reconheço-te de uma forma inexplicável. Mais do que te identificar, é reconhecer-te como parte integrante. É uma sensação estranhamente boa! Tinha saudades tuas. E ontem foste uma bênção! Foi bom encontrar-te, muito bom! Quase mágico… Não fizeste nada mas fizeste tudo. Quero-te bem! Vou ficar de sorriso interior com esta tua lembrança até à próxima vez que o acaso nos juntar.

De volta a mim!

19/08/2009

Hoje foi o dia da mudança! Foi! Consegui quase vê-la à minha frente, e desfrutei. Momento a momento. Depois de uma semana a querer regressar a mim, finalmente regressei. E regressei melhor. Após uma viagem trazemos sempre novos conhecimentos, novas experiências, novas lições. Eu trouxe uma mala cheia de coisas assim, coisas novas, novinhas na minha vida, mas essencialmente voltei a mim. Houve dias em que não me reconheci, demasiado susceptível para ser eu, sem pensar nas coisas, comportamentos infantis e irreflectidos, e enganada… talvez! Percebi que o sentimento de posse e a respectiva perda deturpam-nos a realidade. E traem sentimentos. As coisas ganham dimensões desmesuradas. Perdi a minha racionalidade que teimo embandeirar. Continuo a teimar. Achei-a de volta. Finalmente! Reencontrei o meu espírito critico e bom senso! Estou estupidamente feliz que até tenho medo. É que bem disposta mesmo. É aproveitar.

15/08/2009

São seis e meia da manhã de sabado e não consigo dormir! Reanimo um blog já morto, e penso se volto ou nao a abrir outra vez o que devia estar fechado. Pergunto-me qual a razão de o ter de novo aqui para toda a gente e não encontro razão merecedora de tal facto. Por outro lado tambem me questiono porque tem de estar ele apagado e a resposta é a mesma. Hoje este post é um desabado. Uma escrita intimista como se estivesse numa folha de papel a querer libertar a alma. Uma alma que pesa no corpo. É o peso da duvida e da incerteza, e dos medos que guardo só para mim. Estou tão cansada de não ter que ser frágil. Corrijo, de não parecer frágil. Cansam-me as falsas certezas que as pessoas têm de mim. Cansam-me as pessoas que pensam que só magoando chegam a mim. Cansa-me que me achem altiva e inacessivel. Cansa-me que não me cheguem a conhecer de verdade. Cansa-me isso e muito mais. Tem acontecido tanta coisa e tão pouca nos ultimos tempos que me baralho. Um gosto agri-doce que me fica suspenso na boca, e teima em não sair. Sei que tudo muda num estalar de dedos. O que foi ontem, hoje já não é. E o que foi não volta a ser. Depois as duvidas, as saudades ou o hábito que nos remetem para o passado. Queria tanto amar aquela pessoa que sei que me ama. Queria mesmo. Queria que todo o meu coração fosse dele, e corpo, carne, espirito. Entregava-me de olhos fechados e saberia que ia ficar bem. Que nada de mal me aconteceria porque ele estaria sempre lá para me proteger. Queria amá-lo. Juro que queria. Com todas as forças do meu ser. Mas não consigo. Tentei. Não consigo. Prefiro o outro caminho, ainda que completamente sozinha, sem ninguem para me aparar nas quedas nem me levantar. Mesmo encontrando pelo percurso gente que um dia está e no outro nem por isso, que num dia é sim e no outro é nao, que num dia me estende a mão e no outro me empurra. Mesmo caindo e me levantando vezes e vezes sem conta, de coração partido em bocados, tantos quanto os possiveis. Apesar de tudo prefiro estar assim. E dói algumas vezes. Mas é o melhor.

Tipo assim…

01/07/2009

… é como estou! Ultimamente ando a roubar horas ao sono. Noites mal dormidas mas que valem muito a pena. Durante o dia valha-me o café. E o cigarro. E continuo ausente. Muito ausente aliás. Com tanta coisa para fazer. Preciso de férias.

Vou ausentar-me!

15/06/2009

Umas três semanas, mais coisa menos coisa!
Até ao meu regresso!

Hoje é assim!

09/06/2009

Solta. E parem de dizer que estou muito triste e não sei quê. Porque não estou. Há coisas na vida que são como marteladas num dedo, dói na altura, depois passa. Sem dramas. E posso fazer uma tragédia num dia acerca de uma coisa, mas no outro já tudo passou. Sou assim, emotiva, impulsiva. Nada a fazer. Mas não sou rancorosa. Nem ando a moer sobre o assunto dias sem fim. E francamente, feito um balanço até estou numa fase boa. Mesmo mesmo boa.

Caminho

08/06/2009

Ontem, em noite alta, na fronteira do novo dia que se apresentava, o meu telefone tocou. Até aí nada de novo. Este meu telefone toca sempre tanto. Dava-me a noticia de que uma mensagem tinha acabado de entrar. No espaço que mediou entre o ler e o não ler fui feliz. O autor da mensagem é conhecido, seria mais uma no meio das outras, centenas aliás. Nada a temer. Umas melhores outras piores, umas que me fazem rir, outras que me deixam preocupada, outras que confirmam pensamentos, outras que marcam horas e lugares, e que fazem convites, umas que me elogiam, ou então criticam, umas que servem para um bom dia e um beijinho, ou então um boa noite fica bem. Mas esta mensagem não era nada disso. Assim que os meus olhos uniram as letras, assim que compreendi a mensagem, no mesmo instante achei que tinha levado um murro no estômago. Um não. Vários. Muitos. Acho que alguém em acto continuo insistia fortemente em dar-me murros no estômago, uns atrás dos outros, de forma puramente sádica, só pelo prazer de ver-me sofrer. O coração ficou apertado. Ou então não. Se calhar partiu-se em bocadinhos num silencio fatal que nem me fez dar por isso. E chorei, nem sei se de dor, se de tristeza, se de desilusão, se de angustia ou de surpresa. Talvez tenha sido tudo junto. Como é que alguém deliberadamente magoa assim tanto uma pessoa, como se isso fosse forma de aliviar a dor que também diz que sente? Arrependeu-se. Pediu desculpa no momento a seguir. Insistiu em pedir desculpa. E eu desculpo, mas esta mágoa não sai. Ficou estranho. Tenho pedaços de mim para apanhar e juntar de volta, e isso deve levar tempo. É provável que leve. Como encarar as coisas todas de novo, de forma natural, sem me lembrar que esta mensagem existiu? Não sei. Mas hei-de encontrar um caminho.


So Sorry!!!

I’m sorry
Two words I always think
After you’ve gone
When I realize I was acting all wrong

… o ultimo post não é para ser levado tão à letra ok? É que a quantidade de pessoas que me dizem aqui e ali, que um homem assim não existe é francamente desmesurada, para não dizer estúpida! Alem disso acresce o comentário de que sou uma exigente do caraças, que só penso no que quero receber e não estou preocupada em dar, que sou manienta, que almejo a perfeição, entre outras pérolas. Bem, mas nem todos levaram o texto tão à letra, justiça seja feita. Houve gente que não se imbuiu de uma forma exclusivamente literal em tudo o que eu disse. Hajam esses. Mas estas palavras não são para eles, são para os outros. Os que não conseguem ver para além do óbvio. Os que acham que vou estar a fazer castings com papel e caneta assinalando as características de quem se cruzará comigo. Tal e qual predadora que antes de atacar a presa já estudou os seus movimentos. Poupem-me e poupem-se. Podia começar a dar-me ao trabalho de explicar por A mais B porque é que há coisas que não devem ser levadas tão a sério. Assim como podia começar a dizer o que sou e como sou. Seja numa relação, seja no modo como encaro a vida. Mas prefiro guardar para mim. E porque é sempre mais engraçado descobrirem-me aos poucos, do que eu revelar-me por inteiro num só momento. E agora, ao acabarem de ler este bocadinho, vão dizer “ela tem um mau feitio do pior”, não vão? Pronto, eu confirmo, tenho. Mais alguma duvida? É dispor!

Quero!

27/05/2009

Hoje, em conversa de esplanada, neste dia quente, neste dia que me faz suar o corpo, que me queima a pele, porém não o suficiente para aquecer a alma, questionava-se acerca do que queríamos para nós em muitos aspectos. E o que queremos nós, mulheres. Chegámos à conclusão que queremos muita coisa. Eu então quero este mundo e o outro, e de preferência o mais brevemente possível. Chegadas a um ponto de conversa, falávamos do tipo de homem de cada uma. Três amigas com gostos tão diferentes, personalidades distintas, mas ao mesmo tão iguais e com traços comuns em muito do que se falou. Questionei-me sobre que tipo de homem quero para mim. Que conjunto de características serão indispensáveis num homem para levar-me a apaixonar assim de olhos fechados, para entregar-me de coração e peito aberto, sem medos. Talvez seja demasiado racional. A racionalidade é um contra-amor no que a mim diz respeito. O meu discernimento calculista cria inconscientemente um conjunto de caracteristicas que são um sine qua non num relacionamento, que se quer sério. Não quero catalogar nada, mas quero um homem à minha medida. Quero. Não prescindo disso. Não prescindo mesmo. Quero um homem que seja interessante aos meus olhos. Que saiba conversar comigo sobre os problemas da actualidade, dos mais complexos aos mais mundanos. Não quero um homem alheado. Quero um homem informado. Quero um homem interessado. Quero alguém que discuta comigo politica, que debata os problemas estruturais da sociedade. Quero um homem que fale de impostos sem me aborrecer. E quero alguém culto. Quero um homem que leia, que leia muito, livros, jornais, revistas, mais livros, e mais jornais, e mais revistas. Quero alguém que me leve a Praga para me falar de Kundera. Que me leve à Colômbia enquanto me segreda aspectos desconhecidos de Gabriel Garcia Marques. Que na loucura me leve ao Japão com um Murakami na mala. Mas também quero alguém que me leve a fazer compras a Nova Iorque, aqui e ali. Quero um homem que veja cinema, que aprecie arte, que queira vir comigo às exposições que tanto gosto. Que tenha uma opinião sobre a obra que tem à frente, e que mergulhe no espírito do criador. Quero um homem que me leve ao teatro. Quero um homem livre. Livre de preconceitos e dogmas instituídos. Quero um homem que pense por si, e não seja seguidor das ideias alheias. Quero um homem que me surpreenda todos os dias, e que me diga coisas que eu não saiba. Quero um homem que me faça sorrir, muito, e rir. Quero alguém com sentido de humor ao meu lado. Quero um homem que saiba vestir-se. Que seja charmoso. Quero alguém com bom gosto ao meu lado. Quero que ele goste de viajar. Quero um homem que me mime. Que seja fiel. Integro. Honesto. Bem formado. Cúmplice. Quero alguém que seja amigo e amante. O meu homem terá que ser o meu melhor amigo. Tem que estar lá para mim quando eu precisar dele. Que me apare nas quedas, e aplauda os meus sucessos. Quero um homem que me respeite. Quero alguém que seja trabalhador, que dê valor à carreira, e ao mesmo tempo que seja dedicado à família e aos amigos. Quero um homem que me leve a jantar fora e saiba escolher um bom vinho. Quero um homem que me diga, não o que quero ouvir, mas sim o que preciso de ouvir. Quero um homem ao meu lado que goste de crianças. Que me conquiste todos os dias mais e melhor. Alguém que me tire a respiração num momento, e logo a seguir me dê a serenidade que o amor oferece. Quero um homem bonito. Bonito aos meus olhos. Que me saiba ler, sem eu ter que falar. Quero um homem sensível. Alguém que goste de animais. Quero um homem com sangue frio. Corajoso. Quero alguém que saiba estar. Comigo e com a sociedade. Que seja educado. Quero alguém que me ame assim como sou, com todas as minhas qualidades, e acima de tudo com todos os meus defeitos. Quero. Quero alguém assim e muito mais. Quero amar um homem que me complete e me faça esquecer do resto. Por momentos. Quero muito. Conhecem alguém assim?

Três dias no Algarve com amigos, e estou renovada! Outra! Há lá coisa melhor?

Há dias assim…

13/05/2009

Ás vezes sou fraca. Abate em mim uma tristeza que me deixa mais vulnerável que uma criança que se perdeu dos pais no meio da multidão. A angustia espelha-se nas lágrimas que caem uma a seguir a outra, e que me turvam cada vez mais a visão. Vejo o que me rodeia deste lado da lente embaciada, e o aperto que sinto grita numa dor muda que raramente é notada. E é assim que tem de ser. Não quero que me olhem nos olhos. Apressados nas suas vidas até se esquecem de me olhar nos olhos. Basta um breve olhar de relance para perceberem que estou intacta, e seguem caminho. Enquanto isso o meu coração estraçalhado em bocados passou despercebido. E eu continuo. Como se nada fosse. E nada é. Não quero que seja. Há dias que sinto a falta desse colo. Que me digam que vai tudo correr bem. Mas não dizem, estão tão habituados que tudo corra bem. E eu carrego esse peso. Vai correr tudo bem porque é sempre assim. E desta vez não vai ser diferente. E eu vou guardar cada lugar teu, como me ensinou uma musica. E vou ainda chorar quando revisitar esses lugares, e ainda vai doer. Mas é o melhor. E vou querer estar comigo mesma. Sem ninguém. Não quero ninguém para montar este puzzle em que se tornou o meu coração. Ninguém saberia fazê-lo. Nem quero que o façam. Eu encarrego-me disso.

……..

01/05/2009

Afastamento!

Porque às vezes é preciso.

É preciso sentirmo-nos longe para virem as saudades. Ou então não. Não se vai sentir falta nenhuma e a vida segue normalmente. Ressaca-se nos primeiros dias um hábito constante, e depois passa. Ou então não. Não vai passar nada, e volta tudo ao mesmo.

Porque às vezes é preciso.

Afastamento!

Apontamento

25/04/2009


Acabei a noite num abraço. Quase o mesmo abraço que me recebeu à chegada. Com tudo feito à minha espera (ele sabe tão bem receber-me). A mesa já posta, dois lugares, pratos, talheres, copos, velas, e o vinho pronto a beber. Brinda-me com um jantar que ele próprio preparou. Perdemo-nos na conversa. Um cigarro. Uma janela aberta. Mais conversa. Mais de nós. Risos. Olhares cúmplices. Beijos. Um filme que não se viu. Amor. E um amanhã que não importa.

De Volta!

19/04/2009

Eu um mês depois. Ausentei-me deste espaço. O tempo ou a falta dele assim obrigou. A vida e as suas circunstâncias assim o justificaram. Um mês preenchido e um mês vazio. Três aniversários. Festa. Sorrisos. Amigos. Família. Amor. Jantares. Copos. Lisboa. Praia Grande. Fins de semana fora. Porto. Espanha. Regresso inesperado. Uma morte. A despedida. Lágrimas. Luto. Mais lágrimas. A saudade. E a vida que continua. Um dia atrás do outro. O sol que me bate na cara e acorda-me. Desilusoes. O descanso. Páscoa. Momentos comigo mesma. A falta de inspiração. Esperança. Alegrias. Tristezas. Mais esperança. Um dia atrás do outro. Serena. >

As modas estão em 8 ou 80! Ora vejo saltos altíssimos, ora nem sequer vejo salto de tão rasos que são os sapatinhos e sandalinhas. E isso a mim é coisa que me está a irritar de momento. Eu não sou propriamente a típica portuguesa, não sou nem pequenina, nem larguinha, nem rechonchudinha, nem coisinha que o valha acabada em inha… Para mim aquele ditado do “a mulher quer-se pequenina como a sardinha” sempre me soou a parvo. Primeiro porque nem gosto de sardinhas, segundo porque é estupidamente redutor comparar a mulher com uma sardinha, terceiro porque é simplesmente abjecto, e isso já engloba as duas razões anteriores! É estúpido porque sim! E aqui o porque sim chega e sobra como justificação!
No meu sangue correm misturas alemãs e inglesas, portanto, sou assim a puxar para o crescida, e se isso é uma coisa que me dá muito gozo nuns dias, noutros é coisinha para me aborrecer. E aborrece porque se calçar uns saltos de 10 cm sou menina para passar o metro e oitenta! Ora e isto não me dá muito jeito. Não me dá jeito porque cansa um bocadinho estar constantemente a olhar para baixo, e ver as coisas de cima. É maçador. Porém estou apaixonada por umas sandálias que têm um salto de cunha enorme, e estou assim com uma paixão cega que só me apetece compra-las e não me preocupar com efeitos colaterais. Já sei que vou chamar a atenção, e dar nas vistas, e vai parar um senhor ao pé de mim, como já aconteceu, em que a primeira abordagem é – ” Desculpe, quanto é que a menina tem de perna?” – ao mesmo tempo que me estica um cartão, e tudo, tudo, tudo… Sei que vai ser uma grande chatice esta exposição, e o meu passear altivo, mas nada a fazer! Quero aquelas sandálias! Por isso minhas grandes queridas, se alguém precisar assim de 5 cm, chegue-se à frente que eu até ofereço. Parece-vos bem?… Eu fico a parecer mais portuguesinha, e vocês ficam mais altinhas, que tal?

Ora bem, os dias de Sol voltaram, dias quentes e preenchidos! As idas à praia já são mais que muitas! Os telefonemas dos amigos para jantares, saídas que não acabam cedo, e tudo a querer partilhar a alegria do bom tempo. Decididamente o Inverno já fartava. E eu percebo que ele já acabou pela quantidade de coisas que tenho para fazer agora, mas daquelas coisas mesmo, mesmo boas! E porque estou cheia de alegria, vim aqui partilhar! Porque o sol dá vida! Porque a minha vida é feita das pessoas que amo! E porque é com elas que quero estar sempre! São elas que dão sentido a muita coisa! Porque é quarta-feira e a semana já me deu tanto de bom, de supérfluo, tantos prazeres vividos! Dádivas! Porque sei que sou uma privilegiada e todos os dias agradeço! Gostava de conseguir por em palavras aquilo que sinto realmente, é quase indiscritivel…mas agora não dá, tenho uma aula de Pilates à minha espera!

Sinto-me tão feliz que até assusta! Meu Deus!

Decididamente o grande querido do Ben Harper fez esta musica a pensar em mim neste momento! É que não há margem para dúvida!
Estou cansada deste tempo! O São Pedro anda mais depressivo que a pedra da calçada! E com algumas tendências bipolares! E instabilidades e assim! Portanto, e hoje como acordei bem dispostinha, junto a minha voz à do Ben e canto bem alto:

She´s only happy in the sun!

E é que sou mesmo!

Growing Up

05/03/2009

Eu percebo que estou uma mulherzinha, quando começo a olhar para trintões e quarentões, e dou por mim a achá-los extremamente irresitiveis!
Olha mas que bem!
Sempre tive a sensação que um dia ia crescer, hoje é o dia! Frase típica de um qualquer pacote de açúcar, mas que se aplica lindamente! Até então sempre me deslumbrei pelos meninos dos vintes, nem perdia tempo com outros, hoje em dia não é assim. É que não é mesmo assim!

Gostava de ter o poder de mandar nele. Neste coração altivo, que me trai, que mede forças com a minha cabeça, e que acaba sempre por vencer no que ao amor diz respeito. Ou perder. Consoante o ponto de vista. Ele é duro, difícil, frio. Ele não se dá facilmente. Pergunto-me se alguma vez se terá dado por inteiro. Acho que não. Gostava de ter o dom de o controlar. Infelizmente não tenho. Não consigo levá-lo a entregar-se por completo a quem o merece. Coração exigente este. E sádico também. Não poucas as vezes que resolveu oferecer-se a quem não o tratou com cuidado. Empedrou. Deixou de ser frágil. Talvez uma vez partido jamais se partirá de novo. A regeneração tornou-o pesado, inquebrável, pouco maleável. Queria tanto que ele se libertasse. Fazê-lo ver qual seria o caminho mais certo, e conseguir amar-te como mereces que te ame. Mas não consigo, não estou a conseguir. Ele é mais forte que eu. Queria que um qualquer calor, ou chama o derretesse. Queria que ele visse que tu serás, serias, o melhor para mim, mas ele continua cego. Sinto-me perdida com um coração assim. Um coração que não sabe amar todos os dias da mesma maneira. Um coração egoísta, virado para ele próprio. Um coração consciente, que sabe como é, e ainda assim não muda. Não tem mudado. Sempre te disse que não era fácil, nem eu nem ele. Agora consegues perceber aquilo que falava. Gostava de poder mudar isso, mas até então não tenho conseguido. Até então tenho perdido sempre na minha luta com ele. Sou senhora de mim, mas não do meu coração! E sofro com isso!

E é isto…

26/02/2009

For what it’s worth: it’s never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There’s no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you’re proud of. If you find that you’re not, I hope you have the strength to start all over again. *


* The Curious Case of Benjamin Button

25/02/2009


Às vezes tenho medo de ter perdido a capacidade de amar a longo prazo.
Amo e sou amada nos momentos em que estamos juntos, mas e depois?
Depois logo se vê, não é?
Por enquanto estamos bem assim!

Coisas

22/02/2009

Adoro a minha cidade à noite. Lisboa menina e moça. Cosmopolita. Ruas de um Bairro cheio de gente, luzes, restaurantes, pedras da calçada escorregadias regadas pelo remanescente entornado dos copos mal alojados nas mãos de quem os segura. Vida agitada que me faz sentir o sangue correr nas veias e querer usufruir cada momento. Ao passar das horas a multidão aglomera-se e encontra-se em lugares comuns. As caras são as mesmas, amigos que se revêem e vêem. No meio de uma de muitas conversas deparo-me que definitivamente os novos trinta, são os antigos vinte… À minha volta muitos já passamos o quarto de século, e outros já chegaram mesmo ao inicio dos intas. Olho e vejo que as diferenças se dissipam. Os trintões conseguem ser mais inseguros que um miúdo de dezoito anos. E se já regados com bom vinho, esquecem da maturidade, se é que ela existe, ganha com o tempo, e perdem-se na compostura. Continuam a não dispensar um charro, uma linha, ou algo mais que os mantenha com a pedalada de outrora.. Duas da manhã, a noite mal começou mas já se combinam fins da mesma no LUX. Precisam de motivação, de inspiração. Mais um copo e outro, porque o cigarro seca a boca. O filtro da consciência ganha folga, e pelo espaço entre-aberto do pensamento, diz-se o que se sente sem que se pondere as consequências. É a liberdade ganha em cada gota que se ingere, em cada dose que se inala, em cada fumo que se bafa. Percebemos que às vezes a pessoa que está connosco no inicio da noite, não é exactamente a mesma que chega ao fim. No passar das horas, o mais lúcido dos seres, aprecia uma mutação nos seus semelhantes digna de o levar a pensar na condição humana. O outrora respeitável e seguro senhor de si, torna-se no mais vulnerável objecto de ridicularização. Gostava de saber quando é que alguns homens ganham juízo.

CONVITE

17/02/2009


Antes de ires, apetecia-me um ultimo jantar. Quero partilhar mais uma vez aquela garrafa de vinho contigo e olhar-te nos olhos enquanto a saboreamos. Quero usufruir mais umas horas da tua companhia e dizer-te ao ouvido que não sou fácil. Que sou egoísta, como me chamas. Assumo. Quero ainda poder pedir-te desculpa e ver-te timidamente a olhar para mim enquanto falo. Quero conseguir desarmar-te também. Apanhar-te desprevenido e no fim de um beijo ver na tua cara aquele sorriso. Quero que percebas que sou exigente demais, mas que isso não invalida o que sinto. Preciso de te agradecer por tanta coisa. Ainda não o fiz como mereces. Estou em falta. E o vinho, que bem que me sabe. Quero ouvir-te de novo a insistir comigo para apagar aquele cigarro e não fumar quando estivermos juntos. Mas quero saborear um Marlboro mais uma vez naquela janela. E quero olhar para trás e ver-te deitado na rede com os olhos postos em mim. Preciso de mais um abraço teu e dizer-te adoro-te. E um tango, dançamos? Aceitas?

Vicissitudes…

11/02/2009

Hoje em dia já aprendi a não julgar os outros à minha semelhança. Perceber que todos temos as nossas limitações. Não pretendo ser pretensiosa, embora seja a ideia que muitas vezes passe. Não censuro a visão curta de quem me avista de longe, e faça juízos com o pouco que enxerga. Citando Saint Exupéry, o essencial é invisível aos olhos. Para alguns, a minha altivez natural confunde-se com antipatia. Dizem que brota em mim laivos de arrogância. Acham-me inatingível. Pensam que só magoando conseguem chegar a mim. Confesso que posso parecer distante quando não tenho interesse em alguém. Como também consigo ser propositadamente distante se alguém me suscitar interesse. E não gosto de gente sonsa, não gosto. Não gosto de quem gosta agradar os outros só porque sim. Não gosto de quem perde personalidade para se sentir socialmente integrado. Gosto de pessoas com convicções. Eu tenho as minhas e defendo-as. Mas não gosto de gente demasiadamente obstinada. Tenho em mim o dom da diplomacia. É arte dizer o que se pensa de forma diplomática. É difícil. Todos os dias tenho aprendido como fazer. Basta ser eu. Só tenho ganho com isso. A frontalidade consegue ser uma característica que me orgulha. E gosto de pessoas que conseguem ver para lá do óbvio. E essas são uma minoria. Não percebo porque há um sentimento imediato de compaixão e simpatia por alguém que se diz coitado. E quando uma pessoa está de bem com a vida o sentimento que suscita é inveja. Isso entristece-me. Não por mim, mas por quem vive assim, mais preocupado com o outro do que consigo mesmo. Como se a desgraça alheia fosse fonte amenizadora de uma dor pessoal. A maioria das pessoas não suporta a felicidade dos outros. O sucesso dos outros. A inteligência. A beleza dos outros. E quando isto vem tudo no mesmo pacote, é certo e sabido que não deixa ninguém indiferente. Para o bem e para o mal.

Hábitos

30/01/2009


Primeiro é de ver que não consigo ficar muito tempo sem dizer nada. São nestes momentos de pausa, que saio do meio dos livros e o meu laptop serve de escape, nele viajo em outras páginas.
Eu tenho um grande vicio, ler na cama. Confesso. Adoro. Não há sofá que me encha tanto as medidas, como a sedutora sensação de poder estar em cima da minha cama a ler um livro. Isso para mim é maravilhoso, e assim de repente até parece nada de mais… Porém a coisa complica-se quando transporto esse vicio não apenas para ler um livro como para estudar. E não é um estudar qualquer, que a minha licenciatura já foi há um par de aninhos. É um estudar que implica ter no mínimo que estar a consultar uns livros que mais parecem listas telefónicas, e ter que fazer notas e remissões em todos. Ora, isto na secretária corre-me lindamente. Mas eu teimosa que sou, e nestes dias de chuva, gosto de vir para o quarto e deixar o escritório de lado. Basicamente transfiro todo o material que enche as prateleiras e as minhas estantes largas, para cima da cama, para a minha mesa de cabeceira, para o chão… Trago o laptop sempre comigo, e cheguei ao ponto de já ter trazido a própria da impressora. Nestes dias não se percebe que divisão de casa é esta, não fosse o closet, os cortinados, as cómodas, sofás e poltronas denunciantes, e ninguém diria que isto era um quarto. Até porque a cama quase passa despercebida, assim submersa nesta quantidade de livros, códigos, dossiers, fotocópias, canetas, marcadores fluorescentes, post-its variados, e lapiseiras. Portanto há como se um todo espectáculo de luz e cor à minha volta. O som de fundo escolho eu consoante o humor, porque estudar em silêncio também é coisinha que não é para mim.

Angustias

28/01/2009

Não ando a saber gerir o meu ânimo, o meu tempo, a minha concentração, e o meu dia. Um descontrolo a passar-me entre as mãos, e eu limito-me a contemplar a minha ineficácia perante o desafio. Dias insípidos, cheios de nada, quando se pretendia o contrário.
Quem amo sofre mais comigo nestas alturas. É com eles que mais stresso e me irrito. São eles que levam com o meu mau humor e se enchem de paciência para lidar com tudo o que lhes propicio. Sei disso e peço desculpa.
Não consigo fazer-lhes ver que preciso de me ausentar deles, mas não me ausento do amor. Queria que percebessem que pelo facto de eu estar centrada apenas em mim, não me torna egoísta. Não neste contexto. Não nesta situação. Queria que entendessem que duas semanas são apenas duas semanas. E que não são nada, comparadas com uma vida. Queria que percebessem que mesmo ausente, preciso deles. Do apoio, do incentivo, das palavras de ânimo e de coragem.
Preciso que me digam que vai tudo correr bem, e que me façam acreditar nisso.
Sinto que tenho que dar mais de mim ao objectivo a que me propus!
Tenho que dar tudo de mim!
Até ao meu regresso!

26/01/2009

O cursor deste post ainda vazio, a piscar, reflecte o meu estado… Uma imensidão de vazio e de nada que aguarda por um amanhã que me preencha, assim como estas letras pretas paulatinamente vão preenchendo todo este branco! Uma intermitência entre estar bem e estar mal que se segue diariamente, sem qualquer tipo de estabilidade, nem segurança! Reajo mal quando não sei com o que posso contar, nem com quem contar!
Tenho uma só certeza, posso contar, e quando digo contar digo de corpo e alma, apenas com muito poucos. Gostava de te incluir nesse leque, porque estes são para uma vida, mas tu não sei…

Porque sou muito senhora de mim e das minhas coisas, porque não consigo ficar calada em muitas situações, porque gosto de escrever sobre assuntos que a ninguém interessa a não ser a mim, porque preciso de exorcisar, de deixar ficar a minha marca seja onde for, porque mal ou bem sempre tive um cantinho onde escrever, porque mesmo atolhada em trabalho e afogada em folhas preciso de escrever coisas sem importância, porque não devia abrir um blog nesta altura o faço, porque sou do contra, porque quero… por isto e muito mais… surge o meu novo spot!

1, 2, 3 experiência.. ok parece que funciona!!

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